quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Livres ventos


Ao surgir em plano vôo

Sobre nuvens de algodão

Sobre o ar macio, caloroso de paixão

Lá vou eu em sonhos de uma noite de verão

Mas veio-me à memória

A triste lembrança de asas que não tenho

Da minha humana forma

Que do céu com arriscada queda

Desceu...

Estes devaneios de penas e pássaros

Nascem em mim e de mim

Ah, sonhos teimosos em voar

Mas que num estreito suspiro

Confinado na mortalidade

Expio sem poder me mover mas,

Que pouso antes de cair e

Seguro-me à pingos de sofrer

Queria tanto voar, mesmo sem poder...

Sou assim, todo assim emoção

Que de tão livre são ventos

Que me levam e me trazem

Em muitas vidas,

Mas num só coração

Que mesmo sem asas, ensaia vôos

Inacreditáveis e,

Só me arrasta o pensamento

E faz-me arauto de sonhos possíveis e

Imagináveis.

Lá me diz que me guarda asas,

Que me acorda da razão

Que me adormece a inquietação,

E me sonha os sonhos

Com outros sonhos... De ilusão

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Moribundo repouso


O dia em moribundo repouso

Vai-se quando o sol falece no horizonte

Levando a majestade solar ao

Sepulcro da noite que nasce em exuberância

O lusco-fusco angustia,

Ofusca os olhos e a mente vagueia vazia.

A tarde não tem pressa e se prepara

Deliciosamente morna

Para a morte do dia e o nascimento da noite

Melancolia irresistível pra se amorenar no sol,

Que triste de ir embora não quer anoitecer.

Partida do sol que mexe com o coração alado

Faz-se noite, faz-se o escurecer

Dia e noite se revezam em vinte e quatro

Quilates mais valiosos do que sã consciência

Pode perceber.

O tempo não espera por ninguém

Veja como a luz é devorada pela escuridão,

Não há arauto da salvação mais perfeito do que o silêncio.

Nele há de se mergulhar e no renascimento do sol

O renascimento para a vida,

Pois do negro... O dia.

É sempre bom lembrar que

O tempo não espera por ninguém

Ele sempre muda.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Andando com fé


Vou do meu jeito,

Na espontaneidade que me move

E é bom experimentar liberdade

Com confiança e respeito

Eu sigo, eu vou...

Vou do meu jeito,

Isso é pura vontade

De dar mais um passo além do habitual

De voar sem asas

Perdendo e ganhando, enfim, jogando

Vou do meu jeito,

Criando meus trilhos

Subindo minhas paredes e

Derrubando telhados para

Que a luz possa entrar

Novos caminhos e lá

Estou eu, andando com fé.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Ladainha abastada


Cordas vocais em verborragia,

Seca, nua e grotesca

Quero injuriar problemas assoladores

E maldizer os que maldizem

Quero escarnecer a pseudo-inteligência

E a inutilidade da razão

Chega dessa ladainha abastada

Cheias de coloquialismo mentiroso

E formalidades melindrosas

Desejo um pouco de limbo aos que me usam

E tentam me fazer de fantoche

Bastam-me os covis que enfrento diariamente.

Se tentarem acabar com meu ponto de equilíbrio

Aborreço pavorosamente virulento

Transbordando fel

Meu dia está nevoento, mesmo com o sol raiado.

Abespinhado. Isto basta por hoje!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Pomar babilônico


Suspenderam os meus pomares,

Como os jardins babilônicos.

Porque os meus pomares

São sempre os melhores.

Porque lá, em paz,

É onde eu posso me esticar

Na relva sob frondosas árvores...

Lá o cheiro é bom,

Tem hálito de frutas e

Perfume de flores.

Lá as borboletas ainda existem e

Gozam de pétalas a flor.

As nuvens são de algodão e

O céu de um azul imperial.

Lá não existe dor.

O lugar de meu repouso

É num imenso pomar

Recostado em macieiras ou cerejeiras

Basta escolher...

Meu lugar é encantado, secreto,

Mágico.

Em meu pomar não têm serpentes

Apenas maças para saborear.

De felicidade contínua e plena paz

O lugar onde eu repouso é belo

E é lá que eu quero jazer.

Na imensidão de fartas árvores,

De odores saborosos

E tranqüilidade imortal


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O declínio da paixão


O coração ainda açoita

Parece vir à boca quando se encanta por alguém

Corpo e alma reagem espontaneamente

Aos impulsos de libido, desejo e vontade

De ter, de querer...

Tão forte é paixão que patologia quase se torna

Acomete da tal forma que individualidade se vai

Fascinação pelo outro... e o resto? Resto vira.

Que vontade que dá

Que saudade que dá

Paixão é de tudo melhor

Ópio de anulação completa

Sentimento exacerbado

Que faz mundo ganhar vida numa única pessoa

Sentimento de desejar, querer, a todo custo...

Paixão é forte, mas não dura muito tempo

Ela se vai, abandona-nos sem dó, sem piedade

Deixa resquícios, mas nada comparado a seu poder

E no oportunismo, lá vem ele, o amor

Que se apresenta brando e romântico

E se hospeda faceiramente

Mas...

O amor é estranho, nem quente demais

Nem frio demais.

Morno. Simplesmente morno

O amor é por si esquisito.

Quase tudo aceita

Quase tudo tolera

Quase tudo...

O amor é cheio de caras e cheio de dosagens

Tem um irmão chamado ódio

Que juntos quase sempre estão

E amor e ódio andam lado a lado

E fazem sofrer, terrivelmente dolorido

Machuca, machuca muito o ser

Entre ela, a paixão, musa que inspira, que enlouquece

Fazendo-nos viajar ao mundo do outro e Ele, o amor,

Brando, cínico, morno e “insosso”

Fico com ela, mesmo que seja efêmera

Entretanto, alimenta-me a alma

Que dure enquanto seja eterna

E que faça-me feliz prazerosamente

Paixão ensandecida.

E quando for, peça para que ele não venha me visitar

Pois muito amor sempre atrapalha

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Observai-me!


Tente não me decifrar

Apenas me observar basta

Não sou pergaminho ou manuscrito

Para ter as palavras interpretadas

Falo apenas o que penso

Penso apenas o que falo

Falo apenas o que sinto

E sentir eu sinto de alma

E tenho uma alma grande

De imensidão insuportável

Dela brota o que sou indecifrável

Não adiantar tentar me decifrar

Não há como mergulhar em

Minha caixa de Pandora

Observe-me e verás calmaria do mar quando sou bom

Atente-se e em mim descobrirá jardins de outono

Olhe-me, apenas, e conseguirá me ver por janelas

Mas não queira achar nas minhas linhas

As entrelinhas que não vivem

Pois, repito, falo apenas o que penso, pensando

Simplesmente naquilo que sinto

E meu sentir é único, mágico e transcendental