terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Jardim do sol


Seus pés tocaram, silenciosamente, meu solo candente

E nem deu tempo de perceber como você abriu a chave do meu jardim

Eu, distante a pensar, peniscando desilusões não dei conta

De como pausadamente se acolheu e enraizou-se em meus Antúrios

Também, chegou de mansinho, ainda sem sons, nem sequer te ouvia...

Mas de todas as outras flores, teu odor era o de mais perfume

Ainda sem ver sentia seu bálsamo.

E mesmo de olhos fechados, sabia que você tinha chegado

Tocou meus ramos e raízes... Senti doçura, e, carinho.

Seduzido pelo teu toque abri vistas a você e

Teus olhos que brilham meus olhares me seduziram e,

No exercício da vista apurada conclui que você não era apenas uma visita,

Confundi-te com um Elfo. E meu coração palpitou, mas,

Na realidade notei que você fazia parte do meu jardim

Era tão belo como orquídeas surreais e

Tão perfumado como rosas silvestres

Com extrema felicidade, vagando por meus caminhos

Vi que o que me faltava, parecia que em ti estava

Chegou como sol em meus campos verdejantes,

Como a água que alimenta a terra sedenta.

Arauto que tornou calmo o meu eterno e perfeito mundo.

Onde o sossego e encanto fazem dele a sua morada,

Um mundo envolvido pela ambiência circundante,

Onde os seres encantados, a natureza macia e de cores vívidas,

Embalam o vento libertino e fazem dele o seu recanto...

O grande alquimista em meu jardim repousou.

Que em quididade se chama amor.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Corri o mundo a tua procura


Corria o mundo procurando você

Rezava aos deuses para te encontrar

Inundando-me em esperança infinita

Salvando-me do mundo cruel na fé

Temendo, mas sem desistir de sua presença

Indo ao mais fundo de minha alma, buscando forças

Aonde não se acha, para preservar a expectativa

No momento de que um dia iria te achar

Onde seria? Somente o tempo diria...


Rezas ouvidas, pois eu te achei, te encontrei, do jeito que sonhei

Olhos encantadores

Divina criatura

Rezas miraculosas, pois pedi ternura e desceu um anjo

Inebriado, seduzido, apaixonado...

Gestos, carinho e afagos,

Unhas, dentes e corpo trêmulos de paixão

Encantado, intumescido em afeto

Salvo da solidão e deliciosamente encarcerado pelo coração

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O meu sol


Aflito procuro o meu sol,

Prazenteiro e com choro nos olhos

Ainda que aos tropeços e mesmo que continue caindo

Meus pés matreiros não reclamam de calos

Pés calejados, pisando marasmos...

Seguindo sinais de entusiasmo!

Vou ao encalço, perseverando, na insistência,

Até posso tombar, mas desistir nunca. Desistir porque?

Um dia sofri... Eu existo,

Um dia chorei... Eu vivo;

Um dia sorri... Pois nem sempre fui triste.

Caminho definido,

Amores no coração e,

Fé...

Isso tudo move a vida

Tornando-a brilhante

Isso me dá empolgação,

E deixa tudo mais bonito

Mesmo em tempos de remissão...

Não é impossível, nem distante,

Basta ser perseverante,

Esvaziar o peito de pesos

Daquilo que não há mais jeito...

Abrir portas e quebrar vidraças,

Um olhar diferente, profundo...

Viver intensamente os momentos,

Inundar-se de sentimentos...

Abster-se de cavoucar feridas

E entusiasticamente...

Viver!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Livres ventos


Ao surgir em plano vôo

Sobre nuvens de algodão

Sobre o ar macio, caloroso de paixão

Lá vou eu em sonhos de uma noite de verão

Mas veio-me à memória

A triste lembrança de asas que não tenho

Da minha humana forma

Que do céu com arriscada queda

Desceu...

Estes devaneios de penas e pássaros

Nascem em mim e de mim

Ah, sonhos teimosos em voar

Mas que num estreito suspiro

Confinado na mortalidade

Expio sem poder me mover mas,

Que pouso antes de cair e

Seguro-me à pingos de sofrer

Queria tanto voar, mesmo sem poder...

Sou assim, todo assim emoção

Que de tão livre são ventos

Que me levam e me trazem

Em muitas vidas,

Mas num só coração

Que mesmo sem asas, ensaia vôos

Inacreditáveis e,

Só me arrasta o pensamento

E faz-me arauto de sonhos possíveis e

Imagináveis.

Lá me diz que me guarda asas,

Que me acorda da razão

Que me adormece a inquietação,

E me sonha os sonhos

Com outros sonhos... De ilusão

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Moribundo repouso


O dia em moribundo repouso

Vai-se quando o sol falece no horizonte

Levando a majestade solar ao

Sepulcro da noite que nasce em exuberância

O lusco-fusco angustia,

Ofusca os olhos e a mente vagueia vazia.

A tarde não tem pressa e se prepara

Deliciosamente morna

Para a morte do dia e o nascimento da noite

Melancolia irresistível pra se amorenar no sol,

Que triste de ir embora não quer anoitecer.

Partida do sol que mexe com o coração alado

Faz-se noite, faz-se o escurecer

Dia e noite se revezam em vinte e quatro

Quilates mais valiosos do que sã consciência

Pode perceber.

O tempo não espera por ninguém

Veja como a luz é devorada pela escuridão,

Não há arauto da salvação mais perfeito do que o silêncio.

Nele há de se mergulhar e no renascimento do sol

O renascimento para a vida,

Pois do negro... O dia.

É sempre bom lembrar que

O tempo não espera por ninguém

Ele sempre muda.