
Ao surgir em plano vôo
Sobre nuvens de algodão
Sobre o ar macio, caloroso de paixão
Lá vou eu em sonhos de uma noite de verão
Mas veio-me à memória
A triste lembrança de asas que não tenho
Da minha humana forma
Que do céu com arriscada queda
Desceu...
Estes devaneios de penas e pássaros
Nascem em mim e de mim
Ah, sonhos teimosos em voar
Mas que num estreito suspiro
Confinado na mortalidade
Expio sem poder me mover mas,
Que pouso antes de cair e
Seguro-me à pingos de sofrer
Queria tanto voar, mesmo sem poder...
Sou assim, todo assim emoção
Que de tão livre são ventos
Que me levam e me trazem
Em muitas vidas,
Mas num só coração
Que mesmo sem asas, ensaia vôos
Inacreditáveis e,
Só me arrasta o pensamento
E faz-me arauto de sonhos possíveis e
Imagináveis.
Lá me diz que me guarda asas,
Que me acorda da razão
E me sonha os sonhos
Com outros sonhos... De ilusão
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