segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Andando com fé


Vou do meu jeito,

Na espontaneidade que me move

E é bom experimentar liberdade

Com confiança e respeito

Eu sigo, eu vou...

Vou do meu jeito,

Isso é pura vontade

De dar mais um passo além do habitual

De voar sem asas

Perdendo e ganhando, enfim, jogando

Vou do meu jeito,

Criando meus trilhos

Subindo minhas paredes e

Derrubando telhados para

Que a luz possa entrar

Novos caminhos e lá

Estou eu, andando com fé.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Ladainha abastada


Cordas vocais em verborragia,

Seca, nua e grotesca

Quero injuriar problemas assoladores

E maldizer os que maldizem

Quero escarnecer a pseudo-inteligência

E a inutilidade da razão

Chega dessa ladainha abastada

Cheias de coloquialismo mentiroso

E formalidades melindrosas

Desejo um pouco de limbo aos que me usam

E tentam me fazer de fantoche

Bastam-me os covis que enfrento diariamente.

Se tentarem acabar com meu ponto de equilíbrio

Aborreço pavorosamente virulento

Transbordando fel

Meu dia está nevoento, mesmo com o sol raiado.

Abespinhado. Isto basta por hoje!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Pomar babilônico


Suspenderam os meus pomares,

Como os jardins babilônicos.

Porque os meus pomares

São sempre os melhores.

Porque lá, em paz,

É onde eu posso me esticar

Na relva sob frondosas árvores...

Lá o cheiro é bom,

Tem hálito de frutas e

Perfume de flores.

Lá as borboletas ainda existem e

Gozam de pétalas a flor.

As nuvens são de algodão e

O céu de um azul imperial.

Lá não existe dor.

O lugar de meu repouso

É num imenso pomar

Recostado em macieiras ou cerejeiras

Basta escolher...

Meu lugar é encantado, secreto,

Mágico.

Em meu pomar não têm serpentes

Apenas maças para saborear.

De felicidade contínua e plena paz

O lugar onde eu repouso é belo

E é lá que eu quero jazer.

Na imensidão de fartas árvores,

De odores saborosos

E tranqüilidade imortal


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O declínio da paixão


O coração ainda açoita

Parece vir à boca quando se encanta por alguém

Corpo e alma reagem espontaneamente

Aos impulsos de libido, desejo e vontade

De ter, de querer...

Tão forte é paixão que patologia quase se torna

Acomete da tal forma que individualidade se vai

Fascinação pelo outro... e o resto? Resto vira.

Que vontade que dá

Que saudade que dá

Paixão é de tudo melhor

Ópio de anulação completa

Sentimento exacerbado

Que faz mundo ganhar vida numa única pessoa

Sentimento de desejar, querer, a todo custo...

Paixão é forte, mas não dura muito tempo

Ela se vai, abandona-nos sem dó, sem piedade

Deixa resquícios, mas nada comparado a seu poder

E no oportunismo, lá vem ele, o amor

Que se apresenta brando e romântico

E se hospeda faceiramente

Mas...

O amor é estranho, nem quente demais

Nem frio demais.

Morno. Simplesmente morno

O amor é por si esquisito.

Quase tudo aceita

Quase tudo tolera

Quase tudo...

O amor é cheio de caras e cheio de dosagens

Tem um irmão chamado ódio

Que juntos quase sempre estão

E amor e ódio andam lado a lado

E fazem sofrer, terrivelmente dolorido

Machuca, machuca muito o ser

Entre ela, a paixão, musa que inspira, que enlouquece

Fazendo-nos viajar ao mundo do outro e Ele, o amor,

Brando, cínico, morno e “insosso”

Fico com ela, mesmo que seja efêmera

Entretanto, alimenta-me a alma

Que dure enquanto seja eterna

E que faça-me feliz prazerosamente

Paixão ensandecida.

E quando for, peça para que ele não venha me visitar

Pois muito amor sempre atrapalha

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Observai-me!


Tente não me decifrar

Apenas me observar basta

Não sou pergaminho ou manuscrito

Para ter as palavras interpretadas

Falo apenas o que penso

Penso apenas o que falo

Falo apenas o que sinto

E sentir eu sinto de alma

E tenho uma alma grande

De imensidão insuportável

Dela brota o que sou indecifrável

Não adiantar tentar me decifrar

Não há como mergulhar em

Minha caixa de Pandora

Observe-me e verás calmaria do mar quando sou bom

Atente-se e em mim descobrirá jardins de outono

Olhe-me, apenas, e conseguirá me ver por janelas

Mas não queira achar nas minhas linhas

As entrelinhas que não vivem

Pois, repito, falo apenas o que penso, pensando

Simplesmente naquilo que sinto

E meu sentir é único, mágico e transcendental

domingo, 16 de janeiro de 2011

Eu agora sou apenas terra


Eu agora sou apenas terra... Um solo tenro e firme,

em sobriedade longíqua e imersa em meu próprio casulo,

enterrado, alheio aos humanos julgamentos e discórdias de

compreensões mal intencionadas. Hoje não tenho nome,

nem mesmo data para eclodir novamente. Por enquanto sou apenas terra.

Apenas terra, eu sou... Sem enigmas maiores do que ser

terra batida e molhada por água fresquinha de chuva.

O sol já não mais me escalda vapor.

Voltando a ser semente germinada que cresce

silenciosamente em novo renascimento.

Eu hoje sou apenas terra... solitária por imensuráveis silêncios,

trilhando por incontáveis canções, transpassada

por pés que me pisam, alheia, porém, a tudo isso,

isenta de humanas divagações, desobrigada de previsíveis itinerários,

terra apenas, eu hoje sou...

A esquina e o vento


Lá vem a esquina, o vento está soprando pelo caminho
Redemoinhos se formam no chão e fagulhas de areia
Enchem os olhos que ficam um tanto quanto cegos

Lá vem ela, senhora da dúvida que medo dá; esquina.
Das perguntas que não se silenciam, do calafrio que não termina
Incerteza de tantas coisas que não tem como ser respondidas

Ainda que venha assobiar o vento, e os olhos ofuscados fiquem
Não se deve parar, mesmo que o medo seja maior que a coragem
Desistir jamais, voltar pelo caminho permitido não é

Não tombarás jamais, mesmo que tudo tente te derrubar
O caminho é desconhecido, mas no coração existe uma bússola
Que é Norte e decisão, com ela andarilho será

Por mais longe que esteja o horizonte, o caminho curto parecerá
Nas dificuldades o impulso. Não parar, fraquejar, voltar? Jamais
O medo se veste de coragem, faz a força e impele à vitória

Láurea aos audazes, dignos de coração e com alma honrada!
O pavor não lhes fere as ventas e nem mesmo importuna arrepios
Bela é a expressão do corajoso que segue pelo caminho ventoso

Vida que tão vida, admirável é
Caminho só é destino, para aquele que tem fé

Não é uma esquina, nem mesmo o próprio
Caminho que define os horizontes...
Somos nós.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Novo começo


Bastou piscar os olhos e tudo mudou,

A folha caiu e a luz apagou

Bastou um milésimo de segundo para a vida mudar

Recomeço, reinicio, reconquista

A batalha mais difícil,

O caminho mais esquisito

Um novo momento

Eu vejo um novo começo de Era