sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sou negro



Minha pele pode não ser preta, mas sou negro.
Meus lábios podem não ser carnudos, mas negro sou.
Nasci no Brasil, mas vim de África.
Vim do Rio de Janeiro, mas sou Quilombola
Meus deuses são tão pretos que parecem negrume da noite
Sou filho de negro, neto de negro e bisneto de negro.
Que altivez ser negro!
Da cor da noite, de cor e raça!
Negro.

Falo Yorubá.
Conheço Bantu...
Vivo Orixá...

Neles, o meu encanto.

Sou negro.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O caminho para Ele



Quando passares pelas portas de um recinto chamado conhecimento, mergulhará em leitura e meditação Dele que jamais o teve. Poderá observar um coração puro de vaidades e defesas e chegará a sua alma humana, vermelha, como o fulgor do carvão em brasa e de sabedoria que pode até ser divina. Não ouses olhar para Ele e criticar, nem tente entrar naquele lugar sagrado com a impureza do preconceito da intolerância e maldade humanas! Pois lá, espaço de palavras e devaneios, mora um ser, cujo nome até é pronunciável, entretanto, condene-o e poderás ser punido sem qualquer misericórdia. Quem comete a temeridade de adentrar seus domínios com as suas mãos e espíritos maculados, mas com a falsidade da pureza, será golpeado sem sentir e quando notar, já foi. Mas se estás purificado na verdade entre e será muito bem vindo, pois lá conhecerá os caminhos que podem levar ao seu lar.

Para chegar a ele o caminho é confuso pois é estrada de chão, é para poucos e mesmo parecendo rápido, fácil é perder-se por aquelas terras. Leia suas bulas e sinta os seus dizeres, somente assim chegará ao destino do que realmente Ele é; um coração vermelho, pulsante que vibra por viver.
Lá chegando, bata à porta com cautela, o morador é arredio, vai te deixar entrar, mas para expulsá-lo basta uma agressão moral. Portanto, respeite-o!

Mas cuidado, ali não moram apenas santos, ouvi boatos de seres estranhos, de sementes perigosas, mas que estão sobre domínio, cuidado e controle a cadeado.

Se temer não prossiga, o medo tranca suas portas. Se confiar, acredite, sinceridade pode ser um código, mas não se iluda, ele não é sagrado, é humano. É maculado tanto quanto você.
Vertido pelo bem, lutando contra o mal.

Lá existe calmaria, lá existe felicidade. Entre a floresta negra ou o pomar babilônico suspenso depende do caminho que Dele você escolher. Ou até mesmo que Ele te direcionar.

Lhes são oferecidas maças...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Erro e redenção



Cometem-se muito mais erros por fraqueza do que em consequência de um desejo equivocado de errar. Entretanto, assumir fraqueza é unívoco à maturidade quando há sinceridade na redenção.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Serei eterno



Serei eterno como minha alma é.

Tão eterno quanto os bons sentimentos que tenho
E passarei pela mortalidade da carne
Estando eternizado em sons de um coração
Que parará de pulsar um dia.

Mas por enquanto serei fiel aos meus desejos
Pois são eles que me fazem sonhar e viver
Acreditarei enquanto puder nos homens de bem
Na sutileza dos sentimentos amenos
E no respeito pela voracidade do ódio.

Reclamarei quando o sono me fizer dormir
E o cansaço me obrigar a acordar
Vou chorar copiosamente como um mortal
Quando meu coração for atingido
Mas serei bravo em sua defesa.

Vou rezar aos meus santos, pois neles acredito,
E deles tiro fé.

Serei eterno, tão eterno como o universo,
Salpicado de estrelas e mistérios invendáveis
Que olhos céticos não querem ver.

Serei calmo como a brisa
E violento como o mar.

Serei tudo o que puder,
Tudo o que suportar
E do verbo que ainda posso
Das palavras que ainda sei
Do amor ao qual me entrego
Pela vida me apaixonei.

Por Ela, sem ornatos nem enfeites...

Serei Eterno.

domingo, 20 de novembro de 2011

Não sou inexorável



Minhas conclusões, idealismos e até paixões
Não são cheias de inexorabilidade.
Nada é eterno quando nos permitimos mudar.
Mudar a direção, o caminho, a vontade... O querer
Nunca fui inexorável, assim nunca me cansei
E estou sempre experimentando o novo.
A novidade é boa e rejuvenescedora.

Quando jovem detestava política,
Hoje entendo o significado e importância de ternos e gravatas
Achincalhava os admiradores de Robertos Carlos
E agora até me emociono com aqueles cabelos grisalhos
E certas melodias acústicas!

Mas nem tudo muda, pois continuo não
Gostando de matemática e da complexidade de
Certas regras gramaticais.

Mas mudo, mudo mesmo. Mudo sempre!
Voltei a gostar até de natal e do “ho, ho, ho” do lúdico velhinho.
Um dia posso deixar de gostar de cerveja e
Apaixonar-me loucamente por doces...

Não trato a mudança de opinião como fraqueza de personalidade,
Mas como maturidade de entendimento.
Assim sigo na longanimidade minha.
Viver e mudar faz bem.
Nada deve ser paradigmal
A graça e prazer estão intrinsicamente ligados à
Mudança!

Portanto,
Institua, junte, invente, constitua o que
Quiser na hora que você quiser... Viva!
De Vida o jogo, mudar, é a regra principal.

Mude!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Eu NOS declaro amigos!


Virá o dia em que o tempo

Também me levará você,

Deixando as recordações

De um coração que inspira saudades

Roubará as venturas de uma amizade esfuziante

Tomará para si a motivação de

Livres unidos corações



Tombar-se-á o dia em que nossos

Destinos seguirem outros rumos

As lágrimas de um não mais

Serão veladas pelo outro

E as prosas serão estancadas

A distância virá.



Chegará o dia em que tudo vai mudar

Na travessia da vida, estaremos separados.

As noites servirão para outra coisa,

Menos para compartilhar companhia



Sim, esse dia chegará.

Mas enquanto isso não ocorrer

Manifestarei risos contigo

E vislumbrarei futuros que

Parecem-nos promissores



Dividirei sonhos e apetites empolgantes

De conquistas, realizações, aquisições...

Ao seu lado, no sol e na chuva...

Na brisa e no temporal


Selei com você uma promessa

Solene de amizade

Leal, sincera e verdadeira.

Daquelas que não dá para

Pôr em esquecimento


Tudo conosco aconteceu

Nas vicissitudes normais da vida

Mas hoje, quando juntos estamos e,

Juntos passamos,

Em nossos semblantes

Estende-se um lábaro de felicidade


Olhos invejosos riscam-nos

Nada igual possuem

E tudo de nós querem

Por desgosto pelo bem alheio


Acham que temos ouro e prata

Mas na existência de fato, possuímos

Bens maiores que não podem

Ser meramente furtados.

Uns conhecem-na por Ágape

Eu por carinho e zelo.


Casam-se também os amigos

À maneira dos casados mesmo.

Saibam os ignorantes.

Ouçam a verdade!

Eu NOS declaro

Amigos e Amigos!


Lhe aceito como amásia e prometo

Amá-la com toda ternura que existe

Em meu pequeno coração.

Estarei à sua ilharga nos momentos

Alegres e não fáceis

No vigor e na moléstia.

Enquanto as dificuldades surgirem

Estarei sempre ao seu lado

Para confortá-la e apoiá-la

Pois te honrarei na felicidade ou na aflição

Pois antes de mais nada,

Amo o carinho que tenho por você

Dócil criatura de amor.






terça-feira, 25 de outubro de 2011

Te amo




Desde quando te conheci, senti em você algo de bom.
Notava em ti algo que ia além de atração física e pronto, estava preso a ti.
Sentimentos que raciocinaram superiores ao desejo
Vontades só fazem sentido com você nelas
O futuro gira em torno de você, de nossas vidas em comum.
E daquilo que nos une e chamamos de amor.

Se teço críticas são elas isentas de querer menosprezar-te.
Quero seu bem, que é o meu bem maior.
Não quero assumir um papel paternal.
Não quero ser mais importante, nem muito menos o dono da verdade.
Juntos somos melhores e nossas verdades se completam.

Quero te proteger! Mas nem tudo deve ser do meu jeito, eu sei.
Nossos tempos por vezes são distintos e nossos corações
Para alguns julgamentos possuem compassos diferentes
E ainda que palpitem um pelo outro, são autônomos.

Não existe sobrevida apenas de amor.
Existem dificuldades que precisam ser superadas,
Desafios que precisam ser vencidos,
Rotinas que precisam ser quebradas,
Vidas que precisam ser vividas.

Sempre seremos mais fortes enquanto estivermos juntos.

Te amo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Papoilas de prazeres agudos




Sôfrego, mas contente, deito-me no sofá.
O sabor de papoilas ainda paira em minha boca deixando-me sentir a euforia e o deleite que ainda permanecem no meu sangue e me fazem zabaneiro.
Não me olhes tardiamente e nem chegue depois do sono lírico se apoderar do prazer que a carne ainda retém, me levando ao sono.
Quero a nudez do olhar e um riso dormente para que eu sonhe enquanto desfaleço e ao acordar é a sua imagem que eu quero me velando feliz.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A caixinha de música














Engrenagens e fitas de aço dão impulso à uma dose melancólica

Um caleidoscópio desfragmenta um coração de vidro sob os pés

De uma bailarina de alma rosada



E o som fino e simpático corta o silêncio e quase para o coração

E por instantes um mergulho no passado.

E lágrimas forçam os olhos cerrados presos em imagens

Que se formam e somem como num passe de mágica



Um dó de tristeza se funde no corpo presente

Olhos abertos e lá ela a girar, graciosamente

Presa numa chave em um coração que chora saudade

Nem percebia o tempo passar



E o tempo passou...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

No seu tempo


Ainda não descobri o que eu quero, na verdade quero exageradamente de tudo um pouco ao mesmo tempo que em determinados momentos não consigo acompanhar meus próprios planos, que se entrelaçam e se emaranham com tantas outras coisas... Pé fundo no acelerador. E a frenética loucura do dia-a-dia me faz mais máquina e menos homem me deixando ao mesmo tempo padronizado e sem destino focalizado.

Até sei qual é o desejo de futuro, mas e como alcança-lo do jeito que idealizo? De grana eu precisarei, eu sei, mas e se? E se?

É dramático constatar que nem tudo está sob nosso controle e que nem tudo depende de nós. Certas coisas tem seu próprio tempo de acontecer, no fundo cada um tem um momento certo para a vida, ou, para a morte.

Tem certos dias que simplesmente, as frases de alto ajuda como "aproveitar o dia com se fosse único e último" não fazem qualquer efeito sobre uma psique cansada e combalida por uma rotina maldita que muda pouca nuance de um dia para o outro.

O ritual de acordar com o desgraçado despertador as sete, de lutar contra o quente do travesseiro para se levantar, de remoer de dor com o banho no chuveiro, de respirar fundo no transito caótico para não mandar uns e outros para o inferno, de trabalhar, trabalhar e trabalhar...

Isso cansa e, pior... O corpo padece.

Talvez por isso me dê tanta vontade de choro quando me recordo saudoso da infância inocente quando as únicas preocupações eram os joelhos ralados e quantas pipas eu tinha para o dia seguinte.

E cai um enorme peso na consciência: Estou vivendo direito? Estou fazendo direito? E aonde isso tudo vai me levar.


sábado, 6 de agosto de 2011

A fera e o ergástulo




Uma fera vive em mim
Um cão, dentro de um ergástulo que tranco a sete chaves
Quando o desequilíbrio vem e a ira se encarna
O selvagem ruge e se debate nas grades do calabouço
Imediatamente, silencio, pois no silêncio, a fera se perde
Até perco o chão, pois as palavras somem de minha boca
E não consigo expor nada com minha língua
Que trava e cala. Não chega a ser tristeza, de longe alegria parece ser
Poeira levemente espessa se levanta e o momento pede, então, sofreguidão
Sigiloso martírio, sem dor, sem rancor, sem nada.
A boca selada e o espírito envolto na crisálida do espírito que é de guerra, brasa e fogo.
Bastam algumas horas e o feroz volta a dormir, amansado pela calma que calada fala
Muito mais que mil palavras ditas.
Ao contrário do que se pode pensar, palavras o vento não leva.
Portanto, tem horas que é melhor calar.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Declarações



“Décadas bem vividas

Construirão um homem

Predestinado a realizar grandes feitos.

De tudo vivido, experiências foram adquiridas.

E tornaram você mais sábio e forte,

As dificuldades nos mostram a verdadeira força que temos,

E isso com certeza foi fundamental para a definição de uma autenticidade

Que pertence somente a você. As próximas décadas serão com mais valores, amores,

Respeito e carinho. Prometo viver ao teu lado dias, meses e anos muito mais felizes.

Seria pretensão minha dizer isso tudo?

Sim, talvez, mas a certeza do meu amor por você me leva a crer que teremos sim décadas e mais décadas de muita cumplicidade respeito e amor. Obrigado pela abundância de felicidade que você proporciona ao meu ser. Te amo!”

Ter assim alguém que zela e doa amor, faz do homem a criatura mais feliz.

Nada no mundo paga tamanha dedicação e respeito.

Isso sim é poesia.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Cansado



Meu corpo está pesado

A mente também jaz.

Mas sempre desejei sucesso e glória

E agora? O que é isso?

Diz pra mim? Me responde?

Mas não imaginava tanto trabalho.

Que árduo.

Que difícil é.

Disseram-me que seria pesado

Mas o fardo é terrível

Além de brigar com meu ego

Tenho que me esquivar da presunção

Dos outros.

Santa paciência.

Óh santa rogai por mim!

Onde quero mesmo chegar?

Estou confuso com objetivos

E de tanto atirar, estou sem alvo

Apesar de saber onde querer chegar

Estou confuso entre tantas balas

Um tiroteio de loucos

Que se matam e se estraçalham

Sem notar a nobreza da vida lá fora

Trabalho...

Labuta...

Fadiga.

Cansado.

terça-feira, 19 de julho de 2011

No segundo


São nos segundos que as coisas mais espalhafatosas acontecem.

Olhares se trocam e se prendem.

Desatentos perdem a vida.

Moças não são mais virgens

Homens não são mais santos

O bom vomita a ira

O mal ressurge.

No milésimo do segundo o tempo vira

O ano acaba e outo inicia.

No segundo...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Do céu ao inferno



Cabeça fervilha. Múltiplas idéias.

Desejos e vontades que se misturam e se fundem.

Quando o aspirar se mostra a abdicação aparece.

Quando o sim vem o não volta.

Queres sem querer, podes sem poder.

Nada é fixo, tudo é desconexo.

Misturado, complexo.

Intenso.

A vida sem rumo, mas rumo é rumo que a vida dá.

Tudo ao mesmo tempo.

No tempo do nada,

No tempo do tudo.

Agora!

Simplesmente agora é o viver.

Vida passa rápido demais

Agora! Tem que ser agora.

Tudo. Nada.

Querer.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Mundos



Eu me sinto melhor quando leio,

Sou transportado para mundos

Diferentes deste que estou

Pesadamente inclinado a viver

Mas eu gosto de fantasia

De realidade me basta a própria realidade

Gosto de viajar sobre montanhas

Verdejantes e de aroma primaveril

Gosto da companhia de reis e rainhas

Deuses e Deusas.

Como é bom viajar e conhecer mundos

Mais aprazíveis que o meu.

Não que o meu seja de todo ruim

Mas é bem menos encantador e atraente

Do que aqueles que se apresentam nas

Fascinadoras milhares de páginas de livros...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pulsares


Os pulsares de meu coração já não são os mesmos depois de ter você. Ele respeita compassos mais calmos e meus olhos estão mais atentos em notar felicidade nesta vida que tão logo passa. Vejo poesia até na mais trágica notícia de jornal e nem me incomodo com as atrocidades que vejo por ai.

Hoje estou assim tão mais apaixonado por você que particularmente me sinto melhor.

Já até nem ligo para a antagônica personalidade que tem liberdade em alma, mas que deixou razão e coração se adjudicarem furtivamente às vinculas do amor que tu me ofereceste.

Basta-me te amar.

Basta-me o teu amor.

terça-feira, 10 de maio de 2011

A palavra



Nunca pensei fácil, Pois de fácil nada a vida tem

As corruptelas que na língua existem só me serviram

Para uma coisa... Para isso tudo eu nunca digo amém

Nunca quis ser doutor, médico ou professor

Mas para boas palavras, um pouco de livro ajuda.

Falar bem, não é falar difícil, mas falar bem, pode sim, ser bonito

A palavra carrega consigo tamanha força que move o mundo

De belas palavras se salvam vidas. De feias palavras se matam homens

Nelas, estão contidos os maiores componentes da comunicação

E comunicar é a mais pura e ardente manifestação da divindade

Que adormece na alma humana.

Uns viram políticos, outros advogados. Alguns do diabo e aqueles

Que usam da palavra como argutos sedutores, encantadores...

Saber usar a palavra é arte reservada a poucos e não é qualquer um

Que encontra poesia nela.

Há riqueza bastante no mundo para as necessidades do homem

Mas quase não existem aqueles que sabem que há na palavra

A maior de todas as riquezas que é fazer bem a outrem.

Quer seja num educado bom dia!

Ou num romântico te amo.

Mas, toda, absolutamente toda palavra só tem valor

Quando surge do coração

terça-feira, 3 de maio de 2011

Terceiro Decênio


Três décadas, estritamente delineadas por eventos históricos numa anônima vida humana.

Primeiro decênio, poucas recordações, salvo o companheirismo de um irmão que dividia a tristeza em uma casa solitária enquanto mamãe saia para trabalhar,

O segundo decênio trouxe consigo a maior perda que se poderia esperar... A morte ceifou a vida da mamãe, levando-a embora sem qualquer compaixão ou piedade. E desnudadamente jogado no mundo à própria sorte contando somente com desconhecidos que acolhiam-me com meu indefeso irmãozinho como familiares que de familiar nada tinham. A escola da vida foi bela professora que tratou de separar o meu do destino de meu consanguíneo. Eu choroso ao vê-lo partindo et je suis le seul, ainda mais sozinho para seguir. Por meses seguidos tive lágrimas nos olhos... Eis que vem novamente a Morte e ceifa a vida da última esperança de sobrevida feliz, carrega consigo uma adorável negra avó postiça que acolhera-me em seu colo que não me pertencia, mas que me amava como amava os filhos já criados. Ela ao seu modo, dura em sua extremidade, tenra e dócil em seu coração de alguma forma me amava. Mas a morte também a levou. Por breve momento reclamei com Deus, perguntando-o porquê tanto sofrimento? Para que tanta dor? Sem resposta, entretanto corajoso, segui adiante na solidão de um moribundo infeliz. Na lembrança, de maneira latente, senão o maior conselho deixado por minha mamãe. Dizia ela que somente a educação, somente o estudo seria capaz de me livrar do mundo e das pessoas ruins e, fiel a estes conselhos segui... Mas, morri em próprio casulo.

Meus ventos mudaram e os meus outonos amadureceram. Cheguei à terceira década de uma existência no mínimo intensa. Perdas dolorosas, conquistas magnânimas, desencantos desastrosos e o encontro com uma alma que tem se mostrado gêmea. Tudo muito cedo começado aos trinta e tantos dias anos, mas espero momentos melhores pra mim e estou escrevendo histórias mais agradáveis.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dois


Minha cobiça de você é inusitada

E sem qualquer pecado, te desejo

E tua loucura também o é

Deixando-me perplexo e perdido

Em mim mesmo, pois,

Eu já desisti de procurar razão para

Isso que me fixou a você

Sabe aquele desejo que sobe

E que nos consome? É singular.

Sem falar na saudade

De quando você parte

Que é monstruosamente fatal

Enquanto lembro teus lábios

Saudade dá

Enquanto recordo dos beijos em seu pescoço

Saudade dói

E quando meus olhos cruzam os seus na última despedida

Saudade mata

Em teu perfume percorro um corpo ávido

De quando deslizo sobre teu abdômen e umbigo

E me perco em tuas coxas nuas em pelos

Num corpo que perde o controle

Em arrebatamento intenso... Incontrolável

E único...

Num repente teu prazer arrebata-me

Entre sussurros... Gemidos e suspiros

Multiplicam-se num privilegiado momento...

Instante meu e teu; úmido momento

De espasmos e deleite

Em nossa unanimidade plena.

No dois em um, sendo um em dois

Que não se sabe ao certo onde um começa

E o outro termina.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Jardim do sol


Seus pés tocaram, silenciosamente, meu solo candente

E nem deu tempo de perceber como você abriu a chave do meu jardim

Eu, distante a pensar, peniscando desilusões não dei conta

De como pausadamente se acolheu e enraizou-se em meus Antúrios

Também, chegou de mansinho, ainda sem sons, nem sequer te ouvia...

Mas de todas as outras flores, teu odor era o de mais perfume

Ainda sem ver sentia seu bálsamo.

E mesmo de olhos fechados, sabia que você tinha chegado

Tocou meus ramos e raízes... Senti doçura, e, carinho.

Seduzido pelo teu toque abri vistas a você e

Teus olhos que brilham meus olhares me seduziram e,

No exercício da vista apurada conclui que você não era apenas uma visita,

Confundi-te com um Elfo. E meu coração palpitou, mas,

Na realidade notei que você fazia parte do meu jardim

Era tão belo como orquídeas surreais e

Tão perfumado como rosas silvestres

Com extrema felicidade, vagando por meus caminhos

Vi que o que me faltava, parecia que em ti estava

Chegou como sol em meus campos verdejantes,

Como a água que alimenta a terra sedenta.

Arauto que tornou calmo o meu eterno e perfeito mundo.

Onde o sossego e encanto fazem dele a sua morada,

Um mundo envolvido pela ambiência circundante,

Onde os seres encantados, a natureza macia e de cores vívidas,

Embalam o vento libertino e fazem dele o seu recanto...

O grande alquimista em meu jardim repousou.

Que em quididade se chama amor.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Corri o mundo a tua procura


Corria o mundo procurando você

Rezava aos deuses para te encontrar

Inundando-me em esperança infinita

Salvando-me do mundo cruel na fé

Temendo, mas sem desistir de sua presença

Indo ao mais fundo de minha alma, buscando forças

Aonde não se acha, para preservar a expectativa

No momento de que um dia iria te achar

Onde seria? Somente o tempo diria...


Rezas ouvidas, pois eu te achei, te encontrei, do jeito que sonhei

Olhos encantadores

Divina criatura

Rezas miraculosas, pois pedi ternura e desceu um anjo

Inebriado, seduzido, apaixonado...

Gestos, carinho e afagos,

Unhas, dentes e corpo trêmulos de paixão

Encantado, intumescido em afeto

Salvo da solidão e deliciosamente encarcerado pelo coração

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O meu sol


Aflito procuro o meu sol,

Prazenteiro e com choro nos olhos

Ainda que aos tropeços e mesmo que continue caindo

Meus pés matreiros não reclamam de calos

Pés calejados, pisando marasmos...

Seguindo sinais de entusiasmo!

Vou ao encalço, perseverando, na insistência,

Até posso tombar, mas desistir nunca. Desistir porque?

Um dia sofri... Eu existo,

Um dia chorei... Eu vivo;

Um dia sorri... Pois nem sempre fui triste.

Caminho definido,

Amores no coração e,

Fé...

Isso tudo move a vida

Tornando-a brilhante

Isso me dá empolgação,

E deixa tudo mais bonito

Mesmo em tempos de remissão...

Não é impossível, nem distante,

Basta ser perseverante,

Esvaziar o peito de pesos

Daquilo que não há mais jeito...

Abrir portas e quebrar vidraças,

Um olhar diferente, profundo...

Viver intensamente os momentos,

Inundar-se de sentimentos...

Abster-se de cavoucar feridas

E entusiasticamente...

Viver!