Uma fera vive em mim
Um cão, dentro de um ergástulo que tranco a sete chaves
Quando o desequilíbrio vem e a ira se encarna
O selvagem ruge e se debate nas grades do calabouço
Imediatamente, silencio, pois no silêncio, a fera se perde
Até perco o chão, pois as palavras somem de minha boca
E não consigo expor nada com minha língua
Que trava e cala. Não chega a ser tristeza, de longe alegria parece ser
Poeira levemente espessa se levanta e o momento pede, então, sofreguidão
Sigiloso martírio, sem dor, sem rancor, sem nada.
A boca selada e o espírito envolto na crisálida do espírito que é de guerra, brasa e fogo.
Bastam algumas horas e o feroz volta a dormir, amansado pela calma que calada fala
Muito mais que mil palavras ditas.
Ao contrário do que se pode pensar, palavras o vento não leva.
Portanto, tem horas que é melhor calar.

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