segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Não tenho medo do escuro

Não tenho medo do escuro

Sequer tenho medo do inseguro

Nem acho fantasma em minha voz

Eu preciso ficar só

Pensar sozinho os meus pensamentos

E livrar-me, quem sabe, do hipómanes

Lançado por uma bruxa qualquer

Inexoravelmente estarei oculto

Na oportunista solidão que me afligiu

Solidão que faz bem

Épica exceção do prazer

Por acompanhado estar

Confrangedor devaneio de uma criatura

Que de distância precisa

No logradouro do coração da rua Isolamento

My image: Efêmera despedida; o adeus

My image: Efêmera despedida; o adeus: "Ocorreu-me dizer adeus Apanhar os cestos, arrumar as alfaias Olhar erguido para frente e, Fazer a perene despedida Por mais que se atal..."

domingo, 28 de novembro de 2010

Efêmera despedida; o adeus


Ocorreu-me dizer adeus

Apanhar os cestos, arrumar as alfaias

Olhar erguido para frente e,

Fazer a perene despedida

Por mais que se atalhe

Uma despedida é sempre infeliz.

Não se quer dizer adeus,

Nem por alguns instantes,

Imagina a angústia,

Com um adeus constante. Dói

A despedida Molesta, Despedaça.

A alma irrompe,

O ser contamina.

Por mais que se desvie

Um adeus é sempre inflexível.

É dor,

É lágrima,

Episódio,

Sofreguidão.

Age direto no ser,

No coração,

Deixando marcas fatíveis.

O adeus é o desenlace

De alguns sentimentos,

E principalmente de presenças

O adeus é distância que se apresenta,

É a partida desesperada,

É o tombamento...

É a passagem

A despedida,

Por mais que se evite,

É sempre triste.

Seres que se separam,

E assim, sofrem,

São vivências que se dissipam.

A despedida

É a tão evitada renúncia,

A tudo o que se pensava ter,

A tudo que se pensava viver.

Uma palavra balbuciada... ADEUS.

Desilusão, separação e sonhos desfeitos.

É despedida, forjada não só em mágoas,

Em lamentos, em melancolia.

Uma palavra dita e sua força...

Que muda o curso das vidas e os

Caminhos que nos levam.

Adeus parte de mim,

Que fique o que de bom

Fui em algum momento... Enfim.

Até que as ruas voltem a nos cruzar o

Caminho.

Adeus!

sábado, 27 de novembro de 2010

O relevo dos pensamentos

Tão habilidosos, são os pensamentos e gemidos de alma

Estes que se protegem quando o particular se entrega

Que destroem a quietude de segurança que liberta os medos

Ainda que de olhos abertos para o mundo e fechados para o desconhecido

Os pensamentos são cavalos selvagens que não se permitem dominar

Que vagam no insólito destino da questão que jamais serão respondidas

A ânsia por descobrir e definir; a vontade débil da razão

Pensamento é engano dos sentidos e traição da significância das coisas

Tudo está tão perto, mas se faz tão longe quando se pensa, e, se decide

A realidade se torna degenerada quando não se dança no pensamento

O pensamento é lavrado de relevos. E intelectuais não são seus donos

O pensamento não é vanguardeiro nem mesmo tradicional, ele é atemporal

E reside em toda e qualquer criatura que respira e que íntimo tem

O pensamento é o próprio espírito da existência que manifesta a vontade

Divina da ordem sagrada, sem especificidade de bem ou mal,

De erro ou acerto... Sem deixar de perder sua identidade transmutável

É coerente quando testado no sentido das coisas e pode ser chave

De portas de entrada para o passado, cujas memórias residem e transportam

O pensamento que tenta entender as razões que levam os homens

Ao desabrochar no corrimento da história

Não somo nem mais, nem menos divinos,

Somos feitos de im’puros, vaporosos e livres pensamentos.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O negrume do céu

No céu de meu Deus voei

Eu vi a noite tão negra como nunca tinha notado,

E nuvens tão próximo que quase podia senti-las

E a lua quase na mesma linha do horizonte,

Bela, cheia e iluminada

E o céu de cabeça para baixo virou,

Pois as cidades que debaixo passavam

Constelações pareciam

E vi mistério

Luzes cintilantes cruzaram

O negrume indescritível

Por hora subiam,

Por vezes desciam

Em outras de estrelas se disfarçavam

E sumiam...

Imaginação ou não,

Me encantei com a imensidão

Do escuro que nunca tinha visto

Da ilusão.

Bruma flutuante,

De fumaça refletida à luz lunar

Olhos marejados

Cadivo perante a indescritível imagem

Da a Noite, Nuvens e o Escuro

Dominador e imaginário

Escuro de céu diamante.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O vôo

Pés arrancados do chão ao anoitecer

Raptado! Levado ao mais alto dos céus

Por um ser alado de metal

Que alçará vôo para além das nuvens

Mas, não, seu pouso não será em Shangrilá

Serei levado para um lugar surgido bilhões de anos,

De onde os continentes nem se separado tinham

Roro; o verde ao Imã; serra

Roraima.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O guarda-roupa


Sapatos, paletós, cachecóis

E tantos lenços

Perfumes, brincos e brindes

Blusas, casacos e camisas

Livros, moedas e revistas

Sentimentos.

Cuecas, meias, sungas, areias

Lençóis, nós, paixões.

Folhas, contas, rascunhos, lições.

A casa transtornou

Quando o guarda-roupa escavacou.

Na cozinha paletó, no peito dó.

Na sala, os casacos, nas mãos os cacos.

No quarto, que nada!

O guarda-roupa escavacava

Desciam compras frustradas,

Roupas lavadas e vidas passadas.

Quando o guarda-roupa veio abaixo

O mundo parou, a casa bagunçou.

Não vou lá não! Sem o guarda-roupa

Solidão.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Armadilha


Intuição e mistério se escondem

Sobre o negro da noite

O fogo do dia esvai-se de

Pirilampo em pirilampo

Dando lugar a lua que passa rua e,

Arrefece o calor do dia,

De luz que se apaga

Que fria é a noite!

Mas de friúra é o belo

Do noturno que encobrem alados

Pensamentos soltos.

Longa é a noite,

Da serpente acordada da árvore do pecado

Que de nada morta tem.

Que o tempo morde morta, noite,

Mórbida insensatez.

A noite protege

O doce artifício das ternas

Armadilhas

De tão louca, louca,

Louca e louca que é à noite

Sobre todas as coisas

A noite pousa e repousa

Difusa é a noite.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Um dia eu cansei


Eu já fui, alguns anos, menos interessante que hoje. Um dia eu cansei

De ficar inseguro na festa e de deduzir o que pensavam de mim.

Cansei de olhar meu corpo e sentir insatisfação. Cansei de passar

a tarde na frente da TV num marasmo infrutífero.

Cansei de chegar do trabalho, dormir, acordar

E ficar como se o dia anterior não estivesse passado.

Um dia acordei diferente...

Com ânimo por viver e perceber que sou belo,

Que não tenho olhos verdes, mas são lindamente castanhos.

Que não tenho pernas grossas, mas tenho beijos deliciosos (ao que dizem)

Que bom que cansei, e, acordei.