
Pegado à maneira como a minha vida é passiva a tudo a que acontece em meu trabalho, tornou-se novamente claro como o umbigo de meu destino está estritamente ligado à minha escravidão. Sim, isso mesmo ESCRAVIDÃO. Pois sou obrigado indiretamente a acordar todos os dias antes da minha vontade, a trabalhar mais do que agüento, a tolerar mais do que suportaria, a ouvir aquilo que não gostaria e a engolir aquilo que queria vomitar.
É cruel o demônio por trás do mundo globalizado, informatizado e acelerado que leva consigo vidas e restos mortais de pessoas comuns que só queriam viver. Nefasto que destrói emoções e desestrutura a psique harmônica e convicta até mesmo do mais divinizado Ser.Um demônio que usa o destino como um tabuleiro de jogo sarcástico...
E como matá-lo? Algumas pessoas descobriram um refúgio em se livrar de sua tenebrosa influência se afastando do mundo corrido, se abstendo do dinheiro e se dedicando à Natureza, ao ZEN, ao AMÉM...
Decisão difícil de se tomar. E os compromissos? Os alugueis? Os anéis? E tudo mais que o dinheiro pode comprar? Uma vez corrompido, raramente consegue-se livrar.
Sofro com a agonia que sinto em notar que estou, também, entrelaçado em linhas e anzóis e fisgado como peixe ofegante que desiste de lutar contra o braço forte do pescador que o arranca de seu mar.
Livrai-me do mal senhor, mas não me tirai a felicidade! Não quero chorar! Preserva a dedicação que tenho por meus amigos, apanhados nessa mesma onda que os leva também sem que percebam.
Uma tempestade se forma no horizonte e o desfecho tão apreciado pelo maldito demônio do Capital tende a acontecer: Sôfregas almas, sôfregos olhares, molhados e chorados.
Contra o demônio, que anjo pode agir?
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