quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Cansaço intumescido


Intumescido por um cansaço extremo por aquilo que meu corpo já não pode mais suportar e minha mente agüentar. Pensamentos cambaleados de tanta exigência que o desempenho profissional pede. Mas espere um pouco? É isso que eu ganho em resolver problemas que não são meus? É isse o reconhecimento que recebo por enriquecer ainda mais aqueles que administram? Existe um equívoco nessa história toda.

Parte do meu dia, a mais interessante, eu perco preso como um proletário-idiota-robotizado, em um ambiente formal desde a maneira como eu olho às cores das meias que eu visto. Resfriado por um maldito ar-condicionado poluído e conectado a um computador macabro que hipnotiza minha visão que captura e processa centenas de e-mail-problema-bomba e processam de maneira bombástica. Meu trono é uma cadeira desconfortável que briga com minha lombar que no final do dia desconta em mim. Os teclados durante o dia viram extensão de meus dedos que também cismaram rezingar comigo e descontam em meus tendões.

À noite, um tempinho, pequeno, para olhar para a vida e observar as pendências, tentar organizá-las pela miléssima vez. Relembrar do amigo esquecido, do irmão distante, do benquisto vizinho, alimentar corpo faminto... E as gavetas? Blusas, cuecas, meias e toalhas compartilham a mesma algazarra, não há ânimo para deportá-las cada qual para sua gaveta de origem. E o emocionante livro de lúdica história que está sendo construído? Não sai da qüinquagésima página.

Sorte minha Orfeu levar-me ao doce sono das seis horas que me faz recuperar um pouco da independência e de decência em viver só feliz em mundos inacreditáveis, por vezes mais agradáveis que a realidade.

Isso ainda há de mudar! Por minha vida, eu juro!

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