sábado, 28 de agosto de 2010

A roda da vida


Sinto um nó na garganta quando um amigo diz que vai partir. Ainda não me habituei às separações que a roda da vida provoca. E ela girando novamente me afasta de mais um amado amigo. Não venha me dizer que não é perda, pois sim, é. Tudo bem que as conquistas são conseguidas através dos sacrifícios e se desprender de alguém que amamos já é holocausto demais. Nesse âmbito as coisas podiam ser mais simples...

Falta-me ar, lágrimas me vêm aos olhos e aperto ao coração. Mas os destinos têm a predestinação de se encontrar, se separar e se reencontrar novamente.

A partida anunciada. Um novo começo de Era... O reinicio de tudo.

Meu Eu parou sentado, estagnado e disse-me à consciência sem dó: “Vida te arranca mais um pedaço. Quem manda você Ser seus amigos?”. Verdade seja dita. Posso ser feito de água, nascido do pó e que a ele retornarei, mas sou feito também de amigos. Os absorvo e agrego-os ao meu coração e quando partem, não posso segurá-los, choro.

Choro baixinho para que não percebam e tento engolir a tristeza aparente que é sufocada pela felicidade extrema de ver meus amigos velejando na imensidão do destino para algo melhor. Vá componente de mim! Siga para a ilha da magia e não se preocupe, pois sou porto seguro e forte e pode atracar em meu-seu coração de amigo quando quiser.

Onde quer que esteja, estou contigo. Seja feliz, pois com sua felicidade, feliz sou também.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Cansaço intumescido


Intumescido por um cansaço extremo por aquilo que meu corpo já não pode mais suportar e minha mente agüentar. Pensamentos cambaleados de tanta exigência que o desempenho profissional pede. Mas espere um pouco? É isso que eu ganho em resolver problemas que não são meus? É isse o reconhecimento que recebo por enriquecer ainda mais aqueles que administram? Existe um equívoco nessa história toda.

Parte do meu dia, a mais interessante, eu perco preso como um proletário-idiota-robotizado, em um ambiente formal desde a maneira como eu olho às cores das meias que eu visto. Resfriado por um maldito ar-condicionado poluído e conectado a um computador macabro que hipnotiza minha visão que captura e processa centenas de e-mail-problema-bomba e processam de maneira bombástica. Meu trono é uma cadeira desconfortável que briga com minha lombar que no final do dia desconta em mim. Os teclados durante o dia viram extensão de meus dedos que também cismaram rezingar comigo e descontam em meus tendões.

À noite, um tempinho, pequeno, para olhar para a vida e observar as pendências, tentar organizá-las pela miléssima vez. Relembrar do amigo esquecido, do irmão distante, do benquisto vizinho, alimentar corpo faminto... E as gavetas? Blusas, cuecas, meias e toalhas compartilham a mesma algazarra, não há ânimo para deportá-las cada qual para sua gaveta de origem. E o emocionante livro de lúdica história que está sendo construído? Não sai da qüinquagésima página.

Sorte minha Orfeu levar-me ao doce sono das seis horas que me faz recuperar um pouco da independência e de decência em viver só feliz em mundos inacreditáveis, por vezes mais agradáveis que a realidade.

Isso ainda há de mudar! Por minha vida, eu juro!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Rua do encontro



Os dias mais comuns são levados a diversas ruas de perambulantes. São homens, mulheres, crianças e velhos; todos em encontros e desencontros intermináveis. Os caminhos e destinos são multiplicados em números incalculáveis, os achados e perdidos aos milhões e nesse emaranhado de idas e vindas uma rua em especial se destaca. A rua do encontro.

Nela, almas errantes se aproximam daquelas que são certas. O mal se verte para o bem, o sexo para o amor, a verdade para a mentira e a esperança para a frustração, entretanto, nem só infortúnios acontecem na rua do encontro e da voraz azáfama das pessoas, duas palavras, um olhar e um beijo são capazes de parar o tempo, mexer o coração e mudar o curso das coisas.

E foi assim que aconteceu nesta tão esfuziante rua, em um belo dia de acaso e não seria nada mais, nada menos que um encontro... Mas não foi um encontro comum. Do céu estrelado, coberto em fogo, sol e ouro, oriundo da constelação Leonis, o Leão, fora encarnado e revelado tal qual se faz em uma carta de tarô, como o mensageiro de boas novas.

E eu, agraciado por tal encontro comecei a me perguntar se Ele vinha de Leonis ou de Marte, pois é de Marte que dizem que vêm os homens. É, até pode ser, mas é de Leonis que grata surpresa me chegou, me afagando e me conquistando sentimento, coração e sentidos. Agora sequer olho para o céu. Já não vejo constelações, pois de lá desceu a estrela que ilumina meu caminho, aqui na Terra, na rua do encontro.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Rezo a vida


Bebo do cálice da vida, toda gota que forma o vinho

Embriagando-me nos minutos que esvaem meu fôlego

Errante do copo que nunca transborda

Consumista da doce tentação do estar em vida e na ávida vida

Vida que vida boa, que vida torta, que vida à toa.

A doce miragem do bom amanhã...

Do viver, no choro, no farto, na tristeza, na melancolia

Renascimento na alegria.

O fardo da labuta, da luta, da multa pelos passos errados, cansados e maltratados

O ânimo do acerto, do apego, do esmero por vida.

Vida que é vida, que é bela vida, que zela vida e reza vida.

Toma-me a paixão...

Por respirar, por me animar, por batalhar e por caminhar

Ao destino que não se revela que se desvenda e que se descobre

Num infinito achar, encontrar, buscar.

Numa esquina felicidade

Noutra, maldade

À direita amor,

À esquerda ódio,

No caminho encontros, desencontros, risos e choros

À toa vida é, torta ela se faz, boa é uma questão de escolha, de sentimento

Rezo a vida

Zelo a vida,

Bela vida

Vida que é vida é vivida.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O demônio do tabuleiro


Pegado à maneira como a minha vida é passiva a tudo a que acontece em meu trabalho, tornou-se novamente claro como o umbigo de meu destino está estritamente ligado à minha escravidão. Sim, isso mesmo ESCRAVIDÃO. Pois sou obrigado indiretamente a acordar todos os dias antes da minha vontade, a trabalhar mais do que agüento, a tolerar mais do que suportaria, a ouvir aquilo que não gostaria e a engolir aquilo que queria vomitar.


É cruel o demônio por trás do mundo globalizado, informatizado e acelerado que leva consigo vidas e restos mortais de pessoas comuns que só queriam viver. Nefasto que destrói emoções e desestrutura a psique harmônica e convicta até mesmo do mais divinizado Ser.Um demônio que usa o destino como um tabuleiro de jogo sarcástico...


E como matá-lo? Algumas pessoas descobriram um refúgio em se livrar de sua tenebrosa influência se afastando do mundo corrido, se abstendo do dinheiro e se dedicando à Natureza, ao ZEN, ao AMÉM...

Decisão difícil de se tomar. E os compromissos? Os alugueis? Os anéis? E tudo mais que o dinheiro pode comprar? Uma vez corrompido, raramente consegue-se livrar.

Sofro com a agonia que sinto em notar que estou, também, entrelaçado em linhas e anzóis e fisgado como peixe ofegante que desiste de lutar contra o braço forte do pescador que o arranca de seu mar.


Livrai-me do mal senhor, mas não me tirai a felicidade! Não quero chorar! Preserva a dedicação que tenho por meus amigos, apanhados nessa mesma onda que os leva também sem que percebam.

Uma tempestade se forma no horizonte e o desfecho tão apreciado pelo maldito demônio do Capital tende a acontecer: Sôfregas almas, sôfregos olhares, molhados e chorados.


Contra o demônio, que anjo pode agir?

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Coração de fogo


Eu desistiria de minha vida para te tocar mais uma vez

Pois sinto e sei que você me percebe de alguma maneira

Sua imagem é o mais próximo que eu

tenho daquilo que planeio como paraíso

Eu quero estar em você neste momento

E me arrebatar do mundo em seu amor


Quero voltar a estar embebedado pela paixão e

Dar a você o meu coração de fogo

O néctar que me alimenta provém de seus beijos

E a centelha divina transborda minha alma agora

O céu me liga a você e o meu desejo me condena ao inferno

Acredita nisso tudo que eu revelo!


Não são lágrimas apenas. Tenho mais em mim para te dar

Me ame! Eu só quero que você saiba quem mora em mim

Existe verdade conosco, e, amor.


Minha dependência fragiliza meus muros

Você mobiliza minhas vontades que se voltam para você.

Eu não consigo controlar.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Reflexo gemeo


De mim brotarão sementes regadas por suas maneiras, nascerá de meu íntimo erva dotada de teu capricho, serei o reflexo exato e gêmeo do teu fel, passará a ser alvo da tua própria ironia, e da mesma forma com que me sentenciou, sentenciarei a você. Na labuta corriqueira e cotidiana dos humanóides comuns, coisa que eu não sou, não queira me fazer seu semelhante! Apenas me camuflo belicosamente para defender meu bem maior; um coração humano e raro. E como me bateres, batido será. Com ferro que me ferir, revidado, apanhará. E no mais objetivo das lacunas bem escritas, em meu pescoço que beijaste, em meu peito que se apoiaste, em meu sexo que se perdeste, em minha nuca que enlouqueceste... Em nada mais de mim tem cheiro de você. Se me encarar e olhar no fundo de meus olhos, certamente não verá reflexo de sua imagem, figura, sombra ou mesmo silhueta, desaprendi dizer teu nome e meus ouvidos são surdos aos seus rumores de amor. Ainda que quebrando Braços e pernas, cortando corpos e alma, vou ao malquisto contrário recado mandar: Com dois lhe vejo, com dois lhe apanho e com dois lhe mando para as ondas do mar sagrado, para que de lá nunca mais possa voltar. Percebes como já passou em mim? Então vá! Não espere que eu lhe arremesse!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Narcisismo e zelo


Tenho paixão por mim mesmo e amo cada curva de meu corpo, venero cada pensamento que teço e me dedico os melhores sentimentos.

Pode não parecer mas sou crítico e chato comigo mesmo. Me dou esporro e me cobro por resultados. E avaliando cada decisão tomada, concluo se foi ou não bom para meu crescimento.

Se é Egocentrismo ou Narcisismo eu não sei, mas sei que é zelo. É cuidado. É atenção, pois se eu não me amar quem o fará por mim?

Beijo minhas mãos, meus braços e onde mais meus lábios conseguem tocar. Isso é forma de gratidão por ter um corpo saudável e a mente sã.

Respiro fundo e multiplico com o universo minhas alegrias e divido minhas tristezas. É assim, vou vivendo. Não tenho fórmulas, os ingredientes são escolhidos dia a dia e quando o sol se põe e o travesseiro me chama é que sei se a receita deu certa ou não.

Mas tudo isso por um único e absoluto motivo. EU. É por mim mesmo que tomo as decisões, é por mim mesmo que faço ou deixo de fazer. É por mim mesmo que amo mais que odeio. É por mim mesmo que sou feliz ao máximo que posso.