sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Há quem sinta saudade


Há quem sinta saudade da infância

E aqueles que sentem saudades do que já foi

Há quem sinta saudades de roupas, perfumes e presentes

E aqueles de paixões avassaladoras.

As pessoas passam, a vida passa, mas a saudade não.

Ela é quase eterna e só morre com a própria morte

De quem a sente.

Se é nobre sentir saudades não saberemos

Deve mesmo ser um ato de nobreza

Pois é bem doloroso sentir saudades

Existiu no passado uma rainha

Deusa, negra, mulher

De olhos mais profundos do que os mais

Profundos oceanos

De cabelos mais negros,

Do que o mais negro da noite

E de pele morena,

Mais macia e mais cheirosa

Que terra quente batida por chuva fresca

Mas veio a morte e levou

Consigo o fôlego de vida e o brilho dos seus olhos

Dor e desespero bateram à porta de uma

Alma abandonada

O sentido de tudo partiu

O prazer de tudo se desfez

Vida se foi...

É inimaginável os acontecimentos do caminho,

É incerto, confuso e incomum,

É triste e alegre

É destino!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sobre o tempo


Vagaste tão perenemente e em silêncio imoral

Incessante passamento, fugimento, sangramento irreal


Sois todo tempo que tenho

És todo tempo que me tira

Na roda do passar, pesar, cansar...

Na linha do dia e da noite, o estar, o foi, o acabou!

Ah tempo que não perdoa, que engana e que voeja

Tempo, tempo, tempo.

Inspirou e expirou, o tempo passou

Piscou os olhos, o tempo matou

Tempo se separou da vida e preferiu

Morar com a morte e nela fazer residência

De um triangulo amoroso, rancoroso

Vidas que chegam e vidas que se vão

Manage true de orgia cáustica

Vida, tempo, morte.

Ah tempo safado e malandro,

Roubou para si duas lindas donzelas

A vida e seu fulgor

A morte e sua dor

Esperto e astuto!

Tempo,tempo, tempo.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Tic-tac


Tic-tac, tic-tac

O relógio não pára

Tic-tac, tic-tac

Duas horas da manhã

Tic-tac, tic-tac

Minha cabeça não pára

Tic-tac, tic-tac

Como vai ser o amanhã?

Tic-tac, tic-tac

Quatro horas , matinada

Tic-tac, tic-tac

Estou cansado e não durmo

Tic-tac, tic-tac

Quero descansar mas não consigo

Tic-tac, tic-tac

Daqui a pouco vou levantar

Tic-tac, tic-tac

Seis horas da manhã

Tic-tac, tic-tac

O sol está nascendo

Tic-tac, tic-tac

O que é que vou fazer

Tic-tac, tic-tac

Meu relógio vai tocar

Tic-tac, tic-tac

Sei que um dia enlouqueço

Tic-tac, tic-tac

Já estou consciente

Tic-tac, tic-tac

Estou pronto, alvorecer...

Tic-tac, tic-tac

Tic

Tac,(um breve silêncio)

Tic,

Tac (um silêncio ainda maior)

Pééééééééééééééééééééé!

08h00min é hora de levantar

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O recado


Eu sou o primeiro

Nascido antes de você,

Sei de sua vida antes

Mesmo de ela começar

A acontecer...

Trago do horizonte recado

Para sua vida curar,

Eu sou o pequeno

O juvenil mensageiro

Que orientação vem trazer

Veja sua vida

Desde o início

De lá quando começou a respirar

Ande! Não corra!

Ande por tudo como começou

Passe pela infância

A origem

E quando o período da inocência

Perdeu

Ande! Não corra!

Redescubra tudo o que te formou Ser

Tudo o que é você.

Feche os olhos e respire bem fundo

Mergulhe no seu mar e,

Passe pelas águas obscuras

E procure a calmaria do oceano

Claro e límpido que é o seu melhor

Repouse neste canto o seu pensamento

E lá ache o caminho para sua verdadeira residência

Pois apenas em calmaria e tranqüilidade

Consegue achar o caminho de casa

Ande! Não corra!

Pois quando você se perde é quando você

Se acha.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sua majestade o Rei Sol


… E escuridão descia à face do abismo, quando o Deus eterno, que pairava ao semblante do nada determinou: Exista luz! E houve luz. A luz era boa, sagrada e divina; e então separou a luz da escuridão. Fez-se o dia, se fez a noite. Do início celestial a sua majestade, o Rei Sol, acabara de nascer! A partir de então uma corte sideral se fez. Nos confins do Universo, no sistema solar, nasceram as estrelas na expansão dos céus, para iluminar a terra e acompanhar, como guardiãs, o grande rei, nasceram os planetas para compor o clero divino do sistema solar, vieram os transnetunianos, como sacerdotes do paço imperial, as luas como condessas da noite e os asteróides como monarcas. Estava formada a realeza… A nobre corte no espaço negro e obscuro.

O Rei Sol, senhor de horizontes infinitos desceu místico para a Terra e encarnou-se à semelhança do homem como Deus e correu o mundo com diferentes nomes… Condecorado astro Rei, adorado, aclamado, o Senhor respeitado por quase todas as civilizações da antiguidade, cultuado nos quatro cantos do mundo, como o rei da vida. Quando o Sol encarnou na Grécia, Olimpo, morada dos mais belos deuses, se chamou Hélios que vagava nos céus em sua biga de fogo com cavalos sagrados. No império romano, o Sol encarnou como o Deus Febo, filho de Júpiter com Latona. Personificava a luz e era a mais bela divindade de Roma… Nas Cordilheiras dos Andes (montes Andinos), renasceu como Viracocha, divindade invisível, considerado como o esplendor original, o Senhor do Sol, Mestre do Mundo, sendo o primeiro Deus dos antigos Incas. Nas terras negras, nome do antigo Egito, o Sol, assume a divindade da natureza humana em um Deus zoomórfico chamado Rá, o principal ídolo da mitologia egípcia, um ser com cabeça de falcão conhecido como o deus do sol.

Sua majestade, o Sol, soberano e absoluto Rei celestial depois de descer à Terra e encarnar como Deus, se casa com a mãe Natureza e toma para si os ciclos naturais que governam a existência na Terra. Do casamento do Sol com a Natureza nascem quatro irmãos, que se tornam antigos espíritos do mundo. Dois deles se chamam Equinócios e governam o Outono e a Primavera, os outros dois se chamam Solstícios e imperam no inverno e no verão. Juntos determinam a roda do ano no calendário do sol. A vida humana passa então a girar em torno do grande rei que dá de presente para cada um de seus filhos uma Estação e se inicia a eterna dança entre as sementes do Outono e as flores da Primavera, o frio do Inverno e o calor do Verão…

O rei Sol existe há milênios. Nasceu da escuridão celeste, desceu à Terra como Deus, casou-se com a Natureza, concebeu filhos, (as Estações do ano) e hoje, na modernidade, é o grande Rei da alegria e tem adoradores por todo lugar. Na praia Ele é festejado e louvado, os guarda-sóis são templos, e os praieiros os seus seguidores. Nas micaretas e nos lindos blocos de rua do Rio de Janeiro, Ele é cantado e dançado, os abadás são a indumentária sagrada, a coreografia o rito santificado e a música o louvor. Todos saem na rua com a alegria do Sol. Os turistas que correm o mundo em busca do Sol, por fim, ressurgem como peregrinos em uma jornada de devotos em busca da alegria. Seus chapéus, roupas floridas e suas máquinas fotográficas, a exemplo, são ornamentos sacros. Tudo isso para reverenciar o grande Rei; a alegria.

O Sol nasceu para emanar luz aos quatro cantos do mundo e exterminar a escuridão da alma humana. Ele apaixona todo espírito quando desce ao entardecer em poente e renova toda esperança quando volta nascente no horizonte.

Salve o Sol! Sua majestade, o Rei Sol

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Não tenho medo do escuro

Não tenho medo do escuro

Sequer tenho medo do inseguro

Nem acho fantasma em minha voz

Eu preciso ficar só

Pensar sozinho os meus pensamentos

E livrar-me, quem sabe, do hipómanes

Lançado por uma bruxa qualquer

Inexoravelmente estarei oculto

Na oportunista solidão que me afligiu

Solidão que faz bem

Épica exceção do prazer

Por acompanhado estar

Confrangedor devaneio de uma criatura

Que de distância precisa

No logradouro do coração da rua Isolamento

My image: Efêmera despedida; o adeus

My image: Efêmera despedida; o adeus: "Ocorreu-me dizer adeus Apanhar os cestos, arrumar as alfaias Olhar erguido para frente e, Fazer a perene despedida Por mais que se atal..."