quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O negrume do céu

No céu de meu Deus voei

Eu vi a noite tão negra como nunca tinha notado,

E nuvens tão próximo que quase podia senti-las

E a lua quase na mesma linha do horizonte,

Bela, cheia e iluminada

E o céu de cabeça para baixo virou,

Pois as cidades que debaixo passavam

Constelações pareciam

E vi mistério

Luzes cintilantes cruzaram

O negrume indescritível

Por hora subiam,

Por vezes desciam

Em outras de estrelas se disfarçavam

E sumiam...

Imaginação ou não,

Me encantei com a imensidão

Do escuro que nunca tinha visto

Da ilusão.

Bruma flutuante,

De fumaça refletida à luz lunar

Olhos marejados

Cadivo perante a indescritível imagem

Da a Noite, Nuvens e o Escuro

Dominador e imaginário

Escuro de céu diamante.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O vôo

Pés arrancados do chão ao anoitecer

Raptado! Levado ao mais alto dos céus

Por um ser alado de metal

Que alçará vôo para além das nuvens

Mas, não, seu pouso não será em Shangrilá

Serei levado para um lugar surgido bilhões de anos,

De onde os continentes nem se separado tinham

Roro; o verde ao Imã; serra

Roraima.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O guarda-roupa


Sapatos, paletós, cachecóis

E tantos lenços

Perfumes, brincos e brindes

Blusas, casacos e camisas

Livros, moedas e revistas

Sentimentos.

Cuecas, meias, sungas, areias

Lençóis, nós, paixões.

Folhas, contas, rascunhos, lições.

A casa transtornou

Quando o guarda-roupa escavacou.

Na cozinha paletó, no peito dó.

Na sala, os casacos, nas mãos os cacos.

No quarto, que nada!

O guarda-roupa escavacava

Desciam compras frustradas,

Roupas lavadas e vidas passadas.

Quando o guarda-roupa veio abaixo

O mundo parou, a casa bagunçou.

Não vou lá não! Sem o guarda-roupa

Solidão.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Armadilha


Intuição e mistério se escondem

Sobre o negro da noite

O fogo do dia esvai-se de

Pirilampo em pirilampo

Dando lugar a lua que passa rua e,

Arrefece o calor do dia,

De luz que se apaga

Que fria é a noite!

Mas de friúra é o belo

Do noturno que encobrem alados

Pensamentos soltos.

Longa é a noite,

Da serpente acordada da árvore do pecado

Que de nada morta tem.

Que o tempo morde morta, noite,

Mórbida insensatez.

A noite protege

O doce artifício das ternas

Armadilhas

De tão louca, louca,

Louca e louca que é à noite

Sobre todas as coisas

A noite pousa e repousa

Difusa é a noite.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Um dia eu cansei


Eu já fui, alguns anos, menos interessante que hoje. Um dia eu cansei

De ficar inseguro na festa e de deduzir o que pensavam de mim.

Cansei de olhar meu corpo e sentir insatisfação. Cansei de passar

a tarde na frente da TV num marasmo infrutífero.

Cansei de chegar do trabalho, dormir, acordar

E ficar como se o dia anterior não estivesse passado.

Um dia acordei diferente...

Com ânimo por viver e perceber que sou belo,

Que não tenho olhos verdes, mas são lindamente castanhos.

Que não tenho pernas grossas, mas tenho beijos deliciosos (ao que dizem)

Que bom que cansei, e, acordei.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Bússula do coração


Destino: Sonho
Estrada: Vida
Objetivo: Felicidade
Motivação. Ela (minha mãe in memorian)
Trono: Cama
Conselheiro: Travesseiro
Estadia: Amor
Bússola: Coração
Decisão: Mente
Fulgor: Espírito

Sou todo Fabianno Santana
Amo muito tudo isso

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Devoção











Sou devoto de mim mesmo

Mas não me pertenço

Pertenço aos meus amigos

E as ciladas do destino

Pertenço a vida que é boa e má

Sou devoto de minhas idéias

Mas não engulo minhas próprias opiniões

As mudo como se muda de roupa

Não que haja inconstância

Mas as coisas mudam por natureza

Sou devoto de meus olhos

Mas aprendi a enxergar com o coração

Pois os olhos traem e o coração sente

Sou devoto a minha realidade

Mas acredito em meus sonhos

Eles me animam e me fazem seguir

Sou devoto a minha liberdade

Ainda que algemas me prendam corpo

Mas alma é livre

Sou devoto a minha coragem

Mas medo pondera

Em culto privado

E liturgia sagrada

Eu sigo...

Devoto de mim mesmo.