segunda-feira, 21 de junho de 2010

Olhos amendoados



Transpiro alma em meus olhos amendoados e através deles o exterior, no princípio da realidade, conhece a fantasia do mundo que habita em mim. As vocais são a ponte entre estes universos. Os ouvidos são as sentinelas do caminho e as narinas caçadoras que capturam, no ar, vestígios como faziam os antigos que sentiam no cheiro da terra a mudança do tempo e a chegada de chuva.

A alma minha é sagrada e delicadamente preservada pela mente, um forte coronel que num poderoso governo toma as principais decisões e apresenta ao ego que impulsivamente age, mas antes, é submetido ao superego que regula, busca inibir, provoca um comportamento moral e principalmente conduz-me à perfeição. Transpiro alma em meus olhos amendoados...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O vento me trouxe passado


O vento me trouxe passado, histórias e nuvens cinzas que cobriram meu sol e meu céu. Me perdi no turvo! Palavras que residiam no pretérito renasceram golfando dúvidas e incertezas ao presente. Recorri ao meu âmago que pediu reclusão de meu espírito na busca por um caminho; ele sempre foi o entreposto de minhas decisões. Parei na encruzilhada da (in)decisão. Um caminho desconhecido me levaria para mares longes, próximo de um sol a descobrir e o outro me manteria na jornada eremita para fugir ao (des)trato social. Pelo sim pelo não, decidi sentar-me à beira-mar e ver o pôr-do-sol entre as montanhas. Ele morrendo lento à escuridão noturna e eu imergindo à minha solidão avassaladora. Meu caminho no “só” me pareceu mais seguro.

domingo, 13 de junho de 2010

Ninfas do frio



Dias frios, dedos gelados, coração palpitante como a única coisa capaz de espantar o tremor de músculos tencionados pelo ar marinho. Salmoura nas narinas e dedos trêmulos; o outono carioca virou era glacial em pleno quatorze de junho. Restam ainda sete dias para o solstício de inverno, mas as ninfas do frio mandam mensagem do que vem pela frente. Arpoador, templo sagrado da orla mar sul que de tabernaculo serviu para o encontro de duas fagulhas divinas, mortais e morais. Palavras desencontradas, desengonçadas e engraçadas. Olhares tímidos, analisadores e observadores, dois destinos completamente desconhecidos se cruzam. Dias frios... Acho que não mais!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

É muito bom sonhar


Meus olhares estão convertidos a curiosidade de te conhecer. Meus desejos estão voltados à sua atenção. Mas o conhecer apenas corroborará aquilo que tem se desenhado pra mim até então. Meus caminhos estão mais retos, meus dias mais amenos, minhas dores mais passageiras... Que bom é sonhar. Um oceano que separa duas vidas e a internet que conecta possibilidades. Ah, como é bom sonhar. Um sonho que se sonha junto, não é sonho, passa a ser realidade. No horizonte, o sol anuncia momentos de felicidade. Eu afirmo. É muito bom sonhar...

domingo, 6 de junho de 2010

Etéreo


O sol se põe no horizonte e anuncia a moribunda luz

Que morre ao nascimento da treva vigorosa e medonha.

Sombra domina lentamente o real e olhos se curvam ao escuro.

De fato dá medo do negrume, mas beleza se contem no pavor.

Coração palpitante, temor latente, tremor...

Reina absoluta a alma da noite sobre a mortalidade do homem.

Etéreo.

domingo, 23 de maio de 2010

Descontrole


E quando se perde o controle da vida em detrimento do trabalho? Preso! Capitalismo maldito que empareda sonhos e reais vontades. Obrigados a trabalhar em conformidade com o caráter para suprir caprichos e confortos. Se bem que poder-se-ia ir contra o caráter e arrumar outra forma de preencher isso, mas a maioria NÃO consegue. O caráter sempre vence!

Perder o controle é tão fácil! Quando nota-se trabalha-se de segunda a segunda incessantemente. Não há poesia nisso, aliás, só escravidão.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

À face do abismo
























... E treva descia à face do abismo, quando o Deus eterno, que pairava ao semblante do nada determinou: Exista luz! E houve luz. A luz era boa, sagrada e divina; e então separou a luz das trevas. Fez-se o dia, se fez a noite... No preto e branco da calada do universo, silencio em minha própria existência, pois tenho medo da treva e pavor da luz. Não sou sombra, nem escuridão, entretanto, não uso auréola dourada pra ser chamado de anjo. Aliás, o que sou mesmo? Ah, sim, homo sapiens, desculpe.