segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Criança zelada




Somos andarilhos de uma estrada que muda com o dia e com a noite

Companheiros de vidas e destinos transeuntes

Ocasiões que não se passam de admiráveis encontros

Estamos à mercê da sincronicidade...

Da mesma que faz convergir as coisas em momento iguais

De corações que se revelam e se unem deliberadamente

Que se entregam aos sorrisos mais frouxos

E às brincadeiras mais inocentes

Ele jovem que se apoderou de mim

Ela, com óculos que espelham a própria íris

Numa mistura entre o intelecto de uma ereta mulher

E uma sapeca moleca de jovialidade fervorosa

A outra de olhos que falam pela alma

Tão verde quanto esmeraldas

Que apaixonam os mais duros corações

Três contra um e a nocaute

Desci aos caprichos deles, mais novos

E como se seduzido por uma adolescência que já partiu

Deixei-me abduzir por eles

E fui jogado num rio de emoções

De baladas que já não sustento mais

De noitadas que já não consigo mais

Mas com alegria contagiante... Me dei permissão

De extravasar e não pedi opinião ao corpo

Se ele agüentaria ou não

Eu fui, me entreguei e,

Apenas madrugada fria e algumas goladas de cerveja

Assistiram minha embriaguês

Que embaralharam minhas idéias e,

Fizeram-me fazer os outros rirem

No final das contas, o descanso

Nos braços de Orfeu e ao colo

Daquele que hoje é meu

Encontrei sono e dormi em tranqüilidade de criança zelada

E assim fechei meus olhos. Feliz, feliz, feliz...

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