sexta-feira, 27 de maio de 2011

Mundos



Eu me sinto melhor quando leio,

Sou transportado para mundos

Diferentes deste que estou

Pesadamente inclinado a viver

Mas eu gosto de fantasia

De realidade me basta a própria realidade

Gosto de viajar sobre montanhas

Verdejantes e de aroma primaveril

Gosto da companhia de reis e rainhas

Deuses e Deusas.

Como é bom viajar e conhecer mundos

Mais aprazíveis que o meu.

Não que o meu seja de todo ruim

Mas é bem menos encantador e atraente

Do que aqueles que se apresentam nas

Fascinadoras milhares de páginas de livros...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pulsares


Os pulsares de meu coração já não são os mesmos depois de ter você. Ele respeita compassos mais calmos e meus olhos estão mais atentos em notar felicidade nesta vida que tão logo passa. Vejo poesia até na mais trágica notícia de jornal e nem me incomodo com as atrocidades que vejo por ai.

Hoje estou assim tão mais apaixonado por você que particularmente me sinto melhor.

Já até nem ligo para a antagônica personalidade que tem liberdade em alma, mas que deixou razão e coração se adjudicarem furtivamente às vinculas do amor que tu me ofereceste.

Basta-me te amar.

Basta-me o teu amor.

terça-feira, 10 de maio de 2011

A palavra



Nunca pensei fácil, Pois de fácil nada a vida tem

As corruptelas que na língua existem só me serviram

Para uma coisa... Para isso tudo eu nunca digo amém

Nunca quis ser doutor, médico ou professor

Mas para boas palavras, um pouco de livro ajuda.

Falar bem, não é falar difícil, mas falar bem, pode sim, ser bonito

A palavra carrega consigo tamanha força que move o mundo

De belas palavras se salvam vidas. De feias palavras se matam homens

Nelas, estão contidos os maiores componentes da comunicação

E comunicar é a mais pura e ardente manifestação da divindade

Que adormece na alma humana.

Uns viram políticos, outros advogados. Alguns do diabo e aqueles

Que usam da palavra como argutos sedutores, encantadores...

Saber usar a palavra é arte reservada a poucos e não é qualquer um

Que encontra poesia nela.

Há riqueza bastante no mundo para as necessidades do homem

Mas quase não existem aqueles que sabem que há na palavra

A maior de todas as riquezas que é fazer bem a outrem.

Quer seja num educado bom dia!

Ou num romântico te amo.

Mas, toda, absolutamente toda palavra só tem valor

Quando surge do coração

terça-feira, 3 de maio de 2011

Terceiro Decênio


Três décadas, estritamente delineadas por eventos históricos numa anônima vida humana.

Primeiro decênio, poucas recordações, salvo o companheirismo de um irmão que dividia a tristeza em uma casa solitária enquanto mamãe saia para trabalhar,

O segundo decênio trouxe consigo a maior perda que se poderia esperar... A morte ceifou a vida da mamãe, levando-a embora sem qualquer compaixão ou piedade. E desnudadamente jogado no mundo à própria sorte contando somente com desconhecidos que acolhiam-me com meu indefeso irmãozinho como familiares que de familiar nada tinham. A escola da vida foi bela professora que tratou de separar o meu do destino de meu consanguíneo. Eu choroso ao vê-lo partindo et je suis le seul, ainda mais sozinho para seguir. Por meses seguidos tive lágrimas nos olhos... Eis que vem novamente a Morte e ceifa a vida da última esperança de sobrevida feliz, carrega consigo uma adorável negra avó postiça que acolhera-me em seu colo que não me pertencia, mas que me amava como amava os filhos já criados. Ela ao seu modo, dura em sua extremidade, tenra e dócil em seu coração de alguma forma me amava. Mas a morte também a levou. Por breve momento reclamei com Deus, perguntando-o porquê tanto sofrimento? Para que tanta dor? Sem resposta, entretanto corajoso, segui adiante na solidão de um moribundo infeliz. Na lembrança, de maneira latente, senão o maior conselho deixado por minha mamãe. Dizia ela que somente a educação, somente o estudo seria capaz de me livrar do mundo e das pessoas ruins e, fiel a estes conselhos segui... Mas, morri em próprio casulo.

Meus ventos mudaram e os meus outonos amadureceram. Cheguei à terceira década de uma existência no mínimo intensa. Perdas dolorosas, conquistas magnânimas, desencantos desastrosos e o encontro com uma alma que tem se mostrado gêmea. Tudo muito cedo começado aos trinta e tantos dias anos, mas espero momentos melhores pra mim e estou escrevendo histórias mais agradáveis.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dois


Minha cobiça de você é inusitada

E sem qualquer pecado, te desejo

E tua loucura também o é

Deixando-me perplexo e perdido

Em mim mesmo, pois,

Eu já desisti de procurar razão para

Isso que me fixou a você

Sabe aquele desejo que sobe

E que nos consome? É singular.

Sem falar na saudade

De quando você parte

Que é monstruosamente fatal

Enquanto lembro teus lábios

Saudade dá

Enquanto recordo dos beijos em seu pescoço

Saudade dói

E quando meus olhos cruzam os seus na última despedida

Saudade mata

Em teu perfume percorro um corpo ávido

De quando deslizo sobre teu abdômen e umbigo

E me perco em tuas coxas nuas em pelos

Num corpo que perde o controle

Em arrebatamento intenso... Incontrolável

E único...

Num repente teu prazer arrebata-me

Entre sussurros... Gemidos e suspiros

Multiplicam-se num privilegiado momento...

Instante meu e teu; úmido momento

De espasmos e deleite

Em nossa unanimidade plena.

No dois em um, sendo um em dois

Que não se sabe ao certo onde um começa

E o outro termina.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Jardim do sol


Seus pés tocaram, silenciosamente, meu solo candente

E nem deu tempo de perceber como você abriu a chave do meu jardim

Eu, distante a pensar, peniscando desilusões não dei conta

De como pausadamente se acolheu e enraizou-se em meus Antúrios

Também, chegou de mansinho, ainda sem sons, nem sequer te ouvia...

Mas de todas as outras flores, teu odor era o de mais perfume

Ainda sem ver sentia seu bálsamo.

E mesmo de olhos fechados, sabia que você tinha chegado

Tocou meus ramos e raízes... Senti doçura, e, carinho.

Seduzido pelo teu toque abri vistas a você e

Teus olhos que brilham meus olhares me seduziram e,

No exercício da vista apurada conclui que você não era apenas uma visita,

Confundi-te com um Elfo. E meu coração palpitou, mas,

Na realidade notei que você fazia parte do meu jardim

Era tão belo como orquídeas surreais e

Tão perfumado como rosas silvestres

Com extrema felicidade, vagando por meus caminhos

Vi que o que me faltava, parecia que em ti estava

Chegou como sol em meus campos verdejantes,

Como a água que alimenta a terra sedenta.

Arauto que tornou calmo o meu eterno e perfeito mundo.

Onde o sossego e encanto fazem dele a sua morada,

Um mundo envolvido pela ambiência circundante,

Onde os seres encantados, a natureza macia e de cores vívidas,

Embalam o vento libertino e fazem dele o seu recanto...

O grande alquimista em meu jardim repousou.

Que em quididade se chama amor.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Corri o mundo a tua procura


Corria o mundo procurando você

Rezava aos deuses para te encontrar

Inundando-me em esperança infinita

Salvando-me do mundo cruel na fé

Temendo, mas sem desistir de sua presença

Indo ao mais fundo de minha alma, buscando forças

Aonde não se acha, para preservar a expectativa

No momento de que um dia iria te achar

Onde seria? Somente o tempo diria...


Rezas ouvidas, pois eu te achei, te encontrei, do jeito que sonhei

Olhos encantadores

Divina criatura

Rezas miraculosas, pois pedi ternura e desceu um anjo

Inebriado, seduzido, apaixonado...

Gestos, carinho e afagos,

Unhas, dentes e corpo trêmulos de paixão

Encantado, intumescido em afeto

Salvo da solidão e deliciosamente encarcerado pelo coração