quinta-feira, 17 de junho de 2010

O vento me trouxe passado


O vento me trouxe passado, histórias e nuvens cinzas que cobriram meu sol e meu céu. Me perdi no turvo! Palavras que residiam no pretérito renasceram golfando dúvidas e incertezas ao presente. Recorri ao meu âmago que pediu reclusão de meu espírito na busca por um caminho; ele sempre foi o entreposto de minhas decisões. Parei na encruzilhada da (in)decisão. Um caminho desconhecido me levaria para mares longes, próximo de um sol a descobrir e o outro me manteria na jornada eremita para fugir ao (des)trato social. Pelo sim pelo não, decidi sentar-me à beira-mar e ver o pôr-do-sol entre as montanhas. Ele morrendo lento à escuridão noturna e eu imergindo à minha solidão avassaladora. Meu caminho no “só” me pareceu mais seguro.

domingo, 13 de junho de 2010

Ninfas do frio



Dias frios, dedos gelados, coração palpitante como a única coisa capaz de espantar o tremor de músculos tencionados pelo ar marinho. Salmoura nas narinas e dedos trêmulos; o outono carioca virou era glacial em pleno quatorze de junho. Restam ainda sete dias para o solstício de inverno, mas as ninfas do frio mandam mensagem do que vem pela frente. Arpoador, templo sagrado da orla mar sul que de tabernaculo serviu para o encontro de duas fagulhas divinas, mortais e morais. Palavras desencontradas, desengonçadas e engraçadas. Olhares tímidos, analisadores e observadores, dois destinos completamente desconhecidos se cruzam. Dias frios... Acho que não mais!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

É muito bom sonhar


Meus olhares estão convertidos a curiosidade de te conhecer. Meus desejos estão voltados à sua atenção. Mas o conhecer apenas corroborará aquilo que tem se desenhado pra mim até então. Meus caminhos estão mais retos, meus dias mais amenos, minhas dores mais passageiras... Que bom é sonhar. Um oceano que separa duas vidas e a internet que conecta possibilidades. Ah, como é bom sonhar. Um sonho que se sonha junto, não é sonho, passa a ser realidade. No horizonte, o sol anuncia momentos de felicidade. Eu afirmo. É muito bom sonhar...

domingo, 6 de junho de 2010

Etéreo


O sol se põe no horizonte e anuncia a moribunda luz

Que morre ao nascimento da treva vigorosa e medonha.

Sombra domina lentamente o real e olhos se curvam ao escuro.

De fato dá medo do negrume, mas beleza se contem no pavor.

Coração palpitante, temor latente, tremor...

Reina absoluta a alma da noite sobre a mortalidade do homem.

Etéreo.

domingo, 23 de maio de 2010

Descontrole


E quando se perde o controle da vida em detrimento do trabalho? Preso! Capitalismo maldito que empareda sonhos e reais vontades. Obrigados a trabalhar em conformidade com o caráter para suprir caprichos e confortos. Se bem que poder-se-ia ir contra o caráter e arrumar outra forma de preencher isso, mas a maioria NÃO consegue. O caráter sempre vence!

Perder o controle é tão fácil! Quando nota-se trabalha-se de segunda a segunda incessantemente. Não há poesia nisso, aliás, só escravidão.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

À face do abismo
























... E treva descia à face do abismo, quando o Deus eterno, que pairava ao semblante do nada determinou: Exista luz! E houve luz. A luz era boa, sagrada e divina; e então separou a luz das trevas. Fez-se o dia, se fez a noite... No preto e branco da calada do universo, silencio em minha própria existência, pois tenho medo da treva e pavor da luz. Não sou sombra, nem escuridão, entretanto, não uso auréola dourada pra ser chamado de anjo. Aliás, o que sou mesmo? Ah, sim, homo sapiens, desculpe.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Minha ira pode ser irreversível




Não abra a caixa dos meus segredos íntimos, que eu te farei a férula com a régua escolar de quando era garoto, e, se ficar muito irado, eu fecho a tal caixa com toda a força nos seus dedos, que eles ficarão erriçado como se tivessem recebido um mortal choque elétrico. Comigo, no mínimo seja mais esperto e finja com convicção de que está totalmente desinteressado nos meus guardados e diga que gosta daquilo que eu falo e nem do que guardo que eu abrirei amistosamente minha caixa preciosa e, seduzido por sua suposta sinceridade, na sua face, espalharei todos os meus mais recônditos segredos. Mas não deixe que eu descubra sua farsa, caso seja, pois minha ira pode ser irreversível.