quarta-feira, 24 de agosto de 2011

No seu tempo


Ainda não descobri o que eu quero, na verdade quero exageradamente de tudo um pouco ao mesmo tempo que em determinados momentos não consigo acompanhar meus próprios planos, que se entrelaçam e se emaranham com tantas outras coisas... Pé fundo no acelerador. E a frenética loucura do dia-a-dia me faz mais máquina e menos homem me deixando ao mesmo tempo padronizado e sem destino focalizado.

Até sei qual é o desejo de futuro, mas e como alcança-lo do jeito que idealizo? De grana eu precisarei, eu sei, mas e se? E se?

É dramático constatar que nem tudo está sob nosso controle e que nem tudo depende de nós. Certas coisas tem seu próprio tempo de acontecer, no fundo cada um tem um momento certo para a vida, ou, para a morte.

Tem certos dias que simplesmente, as frases de alto ajuda como "aproveitar o dia com se fosse único e último" não fazem qualquer efeito sobre uma psique cansada e combalida por uma rotina maldita que muda pouca nuance de um dia para o outro.

O ritual de acordar com o desgraçado despertador as sete, de lutar contra o quente do travesseiro para se levantar, de remoer de dor com o banho no chuveiro, de respirar fundo no transito caótico para não mandar uns e outros para o inferno, de trabalhar, trabalhar e trabalhar...

Isso cansa e, pior... O corpo padece.

Talvez por isso me dê tanta vontade de choro quando me recordo saudoso da infância inocente quando as únicas preocupações eram os joelhos ralados e quantas pipas eu tinha para o dia seguinte.

E cai um enorme peso na consciência: Estou vivendo direito? Estou fazendo direito? E aonde isso tudo vai me levar.


sábado, 6 de agosto de 2011

A fera e o ergástulo




Uma fera vive em mim
Um cão, dentro de um ergástulo que tranco a sete chaves
Quando o desequilíbrio vem e a ira se encarna
O selvagem ruge e se debate nas grades do calabouço
Imediatamente, silencio, pois no silêncio, a fera se perde
Até perco o chão, pois as palavras somem de minha boca
E não consigo expor nada com minha língua
Que trava e cala. Não chega a ser tristeza, de longe alegria parece ser
Poeira levemente espessa se levanta e o momento pede, então, sofreguidão
Sigiloso martírio, sem dor, sem rancor, sem nada.
A boca selada e o espírito envolto na crisálida do espírito que é de guerra, brasa e fogo.
Bastam algumas horas e o feroz volta a dormir, amansado pela calma que calada fala
Muito mais que mil palavras ditas.
Ao contrário do que se pode pensar, palavras o vento não leva.
Portanto, tem horas que é melhor calar.